5 dicas para evitar falhas na interpretação do hemograma

A precisão de diversos tipos de exames e a alta qualidade exigida pelos laboratórios nos países que contam com uma legislação sobre o tema permitiu muito mais precisão nos diagnósticos e uma melhoria no prognóstico de vários quadros clínicos distintos. Dentro desse contexto, conhecer dicas para evitar falhas na interpretação do hemograma pode ser muito importante.

Esse é um recurso extremamente comum em nosso sistema de saúde, não apenas pela variedade de informações cruciais que ele oferece, mas por conta do excelente custo-benefício que ele proporciona. Confira o conteúdo a seguir e aprenda o essencial para interpretar os principais dados dessa análise.

O que é o hemograma

O hemograma é, em linhas gerais, um exame de sangue cuja função principal é avaliar as células sanguíneas de um paciente, ou seja, aquelas que são pertencentes às chamadas série branca e série vermelha, além de fazer a contagem das plaquetas, dos reticulócitos e de elucidar alguns índices hematológicos.

Por conta da importância desses itens, o hemograma é uma das análises mais úteis e mais solicitadas na prática médica em todo o planeta. No entanto, mesmo sendo extremamente comum, os seus parâmetros ainda causam muita confusão na população, nos meios de comunicação e até entre profissionais da área de saúde.

Quais são os impactos de uma análise errada

Infelizmente, análises erradas ou pouco aprofundadas de hemogramas são mais comuns do que pensamos no nosso sistema de saúde. As causas para isso acontecer são bastante variadas, e vão desde a necessidade de otimizar o tempo em função do excesso de pacientes, passando pela desatenção ou até mesmo inabilidade técnica.

A questão é que isso pode gerar sérios prejuízos para a saúde do examinado, pois o médico pode estar deixando de observar uma patologia grave ou um quadro agudo potencialmente severo, mas que poderia ser revertido com uma conduta simples, como uma anemia exacerbada.

Como não errar ao interpretar o hemograma

Uma vez que você já compreendeu melhor o que realmente é o hemograma e também os impactos que uma análise equivocada pode gerar para o paciente, chega a hora de conhecer quais são os erros mais comuns na interpretação do exame e o que você deve fazer para evitar que isso aconteça.

1. Faça o pedido certo

Por incrível que pareça, muitas vezes o erro no hemograma começa no próprio pedido do médico. Além dos parâmetros básicos que esse tipo de exame exibe, existem outros que são opcionais e, se não solicitados, simplesmente não serão aferidos. Nesses casos, o profissional pode deixar de ter informações valiosas.

Enquanto o básico é a série vermelha e a série branca, além da contagem de plaquetas, reticulócitos e alguns itens hematológicos, também é possível pedir:

  • hepatograma,
  • lipidograma,
  • proteínas,
  • eletrólitos (sódio, cálcio, potássio, magnésio etc.),
  • glicemia,
  • anticorpos,
  • algumas drogas
  • e até mesmo bactérias ou vírus em casos de infecção.

É preciso fazer essa prescrição por escrito no pedido, até mesmo para que, caso seja necessário, o técnico colha mais quantidade de sangue. É fundamental, portanto, explicar quais são os tipos de informações que você deseja que o exame de hemograma apresente em relação àquele paciente.

2. Conheça os valores de referência

Conhecer os valores de referência é muito importante para interpretar o hemograma da maneira correta. Embora não seja simples decorar todos os parâmetros de todas as análise para homens e mulheres, conhecer ao menos os principais é muito importante, pois nem todos os laboratórios colocam esses dados por escrito no papel.

Os atuais critérios de referência foram estabelecidos na década de 60, depois de muitos estudos de observação de vários indivíduos sem doenças. O que é considerado normal está relacionado, na realidade, às médias encontradas em aproximadamente 95% da população sadia. Cerca de 5% das pessoas sem nenhuma patologia pode estar fora da faixa sem problemas.

Sendo assim, pequenas alterações, sejam elas para mais ou para menos, não necessariamente indicam alguma enfermidade naquela pessoa. Logicamente, quanto mais afastado um resultado se encontrar dos valores de referências, maiores serão as chances de isso verdadeiramente representar alguma patologia.

3. Preste atenção no eritrograma

O eritrograma é a primeira parte do hemograma, e as suas informações dizem respeito aos glóbulos vermelhos, que também são chamados de hemácias ou eritrócitos. São dados que devem ser analisados em conjunto e, caso os parâmetros estejam reduzidos, indicam um quadro de anemia. Nessa situação, é essencial pesquisar o tipo.

Já glóbulos vermelhos elevados indicam policitemia, que é o excesso de eritrócitos circulantes. O hematócrito diz respeito ao percentual de sangue que é ocupado pelas hemácias, enquanto o resto da sua composição é de água e de outras substâncias diluídas.

Enquanto um número baixo prejudica o transporte de oxigênio, o excesso deixa o sangue “grosso” e pode facilitar a formação de coágulos.

4. Analise bem o leucograma

Já o leucograma é a parte do hemograma que avalia os leucócitos, também chamados de série branca do sangue. Eles são responsáveis pela defesa do nosso corpo, ou seja, lutam contra organismos invasores e, por isso mesmo, são muito importantes para analisar os tipos de infecção e até o tempo de duração dessas doenças.

São vários os seus tipos. Os neutrófilos, que são os mais comuns, são especializados no combate às bactérias. Os segmentados ou bastões são neutrófilos jovens, e em número elevado significam infecção recente e/ou ativa. Já os linfócitos são a principal linha de defesa contra vírus e tumores, podendo indicar um processo viral em curso.

Por fim, os monócitos são um pouco mais inespecíficos, aumentado para viroses e infecções bacterianas. Os eosinófilos estão relacionados à presença de parasitoses ou processos alérgicos, e os basófilos, que são o tipo menos comum de leucócitos no sangue, se elevam também em alergias ou em estados de inflamação crônica.

5. Observe a quantidade de plaquetas

Como sabemos, as plaquetas são as células relacionadas ao início do processo de coagulação. Quando qualquer tecido nosso é lesado, são elas que vão até o local para funcionar como uma espécie de tampão, estancando um eventual sangramento.

O seu valor normal é variável e gira em torno de 150 mil e 450 mil por microlitro (uL). Parâmetros mais baixos podem indicar uma série de problemas. No Brasil, por exemplo, podem estar relacionados a algumas arboviroses endêmicas, como a Dengue, a Zika e a Chikungunya. Plaquetas abaixo de 10 mil indicam risco de morte.

Pronto para evitar falhas na interpretação do hemograma? Gostou do conteúdo? Então confira também nosso artigo sobre como otimizar o atendimento dos pacientes!

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